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Goldman vê cenário positivo para Vale, Gerdau, Suzano e Aura Minerals após evento

redacao by redacao
27/05/2026
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Goldman vê cenário positivo para Vale, Gerdau, Suzano e Aura Minerals após evento
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Minério de ferro da Rio Tinto

O Goldman Sachs demonstrou visão construtiva para as principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities durante a segunda edição do Brazil Commodities Day.

A instituição financeira reforçou perspectivas positivas para companhias de mineração, siderurgia, papel e celulose e óleo e gás na América Latina, destacando temas como crescimento operacional, disciplina de capital, melhora de preços e ganhos de competitividade.

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Vale (VALE3)

O Goldman Sachs reitera recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de US$ 18 por ação.

O CFO Marcelo Bacci afirmou que a mineradora percebeu aumento do interesse de investidores por ativos ligados a commodities e mineração, apesar das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio.

Segundo a Vale, a empresa trabalha para destravar até US$ 4 trilhões em investimentos potenciais, parte deles anteriormente limitados por preocupações ligadas a ESG.

A companhia reforçou que o principal foco de crescimento em metais básicos está no cobre. A Vale possui seis projetos no pipeline e pretende elevar a produção de cobre de 350 mil para 700 mil toneladas por ano, com investimentos estimados em US$ 5 bilhões.

No níquel, a prioridade é melhorar execução operacional e capturar o ambiente atual de preços elevados, enquanto a estratégia de longo prazo continua mais concentrada em cobre.

A Vale também afirmou que sua estrutura de frete reduz a exposição aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre custos. Cerca de 75% dos contratos de frete são de longo prazo, enquanto 70% da exposição ao bunker está protegida via hedge atrelado ao Brent abaixo de US$ 80 por barril.

Sobre alocação de capital, a companhia reiterou foco em eficiência financeira e disciplina em M&A, especialmente no segmento de cobre.

Por outro lado, o banco disse que os riscos de baixa incluem queda nos preços do minério de ferro, valorização do real, recuperação mais lenta da dinâmica de oferta e demanda de cobre e níquel, potenciais novos desdobramentos judiciais envolvendo Samarco e desempenho operacional abaixo do esperado tanto no minério de ferro quanto em metais básicos.

Aura Minerals (AURA33)

Para Aura Minerals, o banco mantém recomendação de compra, com novo preço-alvo de US$ 116 por ação para os próximos 12 meses, com base na metodologia de NAV (valor líquido dos ativos).

Entre os riscos negativos, o Goldman destaca a forte exposição da receita ao ouro, o que pode pressionar as ações caso os preços do metal caiam; riscos operacionais ligados aos diversos projetos e aquisições em andamento; possibilidade de conversão de recursos minerais em reservas abaixo do esperado; e exposição a regiões consideradas mais sensíveis do ponto de vista operacional.

O COO da companhia, Glauber Luvizotto, afirmou que a estratégia segue focada em execução operacional e crescimento de longo prazo.

Na mina MSG, recentemente adquirida, a empresa trabalha em um processo de turnaround para melhorar produção e custos. A Aura acredita que o ativo pode atingir produção de 80 mil onças por ano, com custo caixa abaixo de US$ 2 mil por onça. A expectativa é que a operação apresente melhora significativa em 2027, com avanços adicionais entre 2028 e 2029.

Em Borborema, a empresa pretende dobrar a capacidade de processamento de 2 milhões para 4 milhões de toneladas por ano até 2028, embora a decisão final de investimento ainda não tenha sido tomada. O principal gargalo é a disponibilidade de água, o que exigirá ampliação da capacidade de tratamento hídrico.

Já o projeto Era Dorada foi descrito como um dos mais complexos da companhia, devido a desafios geológicos e operacionais. Ainda assim, a administração acredita que o ativo pode se tornar transformacional, com potencial para entregar o minério de maior teor e uma das maiores produções da empresa.

Na mina Almas, a capacidade segue aumentando gradualmente e pode chegar perto de 3 milhões de toneladas por ano no segundo semestre de 2026. Novos programas de exploração podem abrir espaço para futura expansão para 4 milhões de toneladas anuais.

Gerdau (GGBR4)

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Gerdau, com preço-alvo de R$ 25 por ação, baseado na metodologia de fluxo de caixa descontado (DCF), considerando WACC de 11,5%, crescimento terminal de 2,5% e beta de 1,10.

O CFO Rafael Japur destacou perspectivas mais favoráveis para os mercados brasileiro e norte-americano. Nos Estados Unidos, a companhia segue focada em crescimento orgânico e vê demanda resiliente. A principal preocupação é a entrada de nova capacidade produtiva no norte do México, que pode elevar a competição caso as tarifas sejam reduzidas.

No Brasil, a empresa avalia que o impacto das expansões recentes de capacidade já foi absorvido pelo mercado. Segundo a administração, o aumento dos custos de frete e do diesel reduziu o fluxo de aço vindo do Nordeste para os mercados do Sul e Sudeste, favorecendo reajustes de preços.

A Gerdau também afirmou que medidas de proteção comercial ainda são insuficientes para equilibrar completamente a concorrência com o aço importado, mas vê avanços positivos. Possíveis medidas antidumping para fio-máquina e bobinas a quente no segundo semestre de 2026 podem servir como catalisadores.

A companhia espera que a operação brasileira volte ao equilíbrio de fluxo de caixa livre no segundo semestre de 2026, com redução do capex e melhora operacional.

Suzano (SUZB3)

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Suzano, com preço-alvo de R$ 52 por ação. Os principais riscos apontados são preços da celulose abaixo do esperado, desaceleração mais forte da demanda chinesa, valorização do real frente ao dólar, inflação de custos acima das expectativas e decisões de alocação de capital que possam reduzir retornos ou aumentar riscos de execução.

O CFO Marcos Assumpção destacou o foco em competitividade de custos em meio às pressões inflacionárias globais.

Segundo a empresa, mecanismos de hedge para petróleo e contratos de diesel de longo prazo ajudam a reduzir os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos operacionais.

A Suzano também afirmou que seu ciclo de investimentos segue acima do normal devido à expansão florestal em Ribas do Rio Pardo, mas vê potencial de reduzir o capex recorrente para abaixo de R$ 10 bilhões anuais no longo prazo.

A companhia segue priorizando a redução da dívida líquida para US$ 11 bilhões, ante US$ 13 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mantendo estrutura de amortização de longo prazo.

Além disso, a Suzano demonstrou maior confiança em sua estratégia “fiber-to-fiber” (F2F), aproveitando as dificuldades enfrentadas por produtores integrados nos EUA e Europa.

Klabin (KLBN11)

O Goldman Sachs tem recomendação neutra para a Klabin, com preço-alvo de R$ 18 por ação, citando atrasos em novos projetos e interrupções de oferta que poderiam sustentar preços da celulose acima das projeções; desvalorização do real frente ao dólar, favorecendo a rentabilidade; e recuperação mais forte da demanda por papel, especialmente na Europa.

Já os riscos negativos incluem valorização do real, ciclo prolongado de queda nos preços da celulose e desaceleração da atividade global, afetando a demanda por papel e celulose.

O diretor da área de embalagens, Douglas Dalmasi, afirmou que mudanças estruturais no setor beneficiaram o negócio de embalagens da companhia.

Segundo ele, o processo de consolidação do setor via fusões e aquisições aumentou o poder de precificação das empresas, enquanto clientes passaram a concentrar compras em fornecedores com maior variedade de fibras e soluções integradas.

Hoje, cerca de 70% do volume de caixas da Klabin está sob contratos de longo prazo, ante 30% no passado. A empresa também afirmou que busca ampliar sua participação no mercado brasileiro de caixas de papelão de 22% para 30% no longo prazo.

A companhia ainda vê oportunidades de expansão nos Estados Unidos e na Europa, principalmente via aquisições, embora desalavancagem siga como prioridade.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br/mercados/goldman-ve-cenario-positivo-para-vale-gerdau-suzano-e-aura-minerals-apos-evento/

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